Jesús Salinas Pedraza
MéxicoAshoka Fellow desde 1991

Jesus Salinas, um lingüista e índio Nahnu do estado de Hidalgo, está usando computadores para ajudar os índios a criar uma tradição escrita a partir de suas línguas orais, preservando e enriquecendo sua língua e cultura indígenas e enriquecendo a educação de seus filhos.

A Pessoa

Jesus inicialmente estudou para ser professor em seu estado natal de Hidalgo. Ele ensinou na escola primária por alguns anos, dirigiu uma por cinco anos, depois foi para o estado de Oaxaca para se tornar professor em uma escola secundária. Perseguindo um interesse em computação e linguística, Jesus foi para a Universidade da Flórida. Ele se tornou um assistente de campo e eventual co-autor de estudos sobre os índios Otomie (Nahnu) com um antropólogo americano e, desde então, publicou etnografias da cultura Nahnu em inglês e espanhol. Os longos anos que Jesus investiu no domínio da computação, linguagem e educação, combinados com seu compromisso e sentido para com as culturas indígenas do México, agora lançaram a base a partir da qual ele está lançando esta nova abordagem para a sobrevivência cultural.

A Nova Idéia

As crianças indígenas geralmente falam sua língua indígena na comunidade, mas aprendem a ler e escrever em espanhol na escola. Mesmo com o México agora incentivando a preservação da cultura indígena, o currículo escolar reflete um sério obstáculo: a maioria das línguas indígenas não tem uma forma escrita padrão, ou mesmo um alfabeto padrão. O espanhol, portanto, torna-se a língua de toda comunicação não verbal, deixando apenas um papel muito pequeno e cada vez menor para muitos milhões de línguas maternas dos mexicanos. A ampla distribuição da tradução da Bíblia de Martinho Lutero, graças à imprensa, levou a um alemão padronizado; Jesus vê que a mais recente tecnologia de impressão pode desempenhar um papel semelhante para as línguas indianas. Os computadores são uma ferramenta extremamente útil para criar alfabetos unificados entre diferentes dialetos, preparar dicionários, produzir textos de forma rápida e econômica e muito mais. Em sua Oficina de Línguas Indianas em Oaxaca, Jesus treina representantes de grupos indígenas para usar o computador dessas maneiras, para que possam começar a gravar sua língua antes que se extinga. Depois que um grupo padroniza seu alfabeto e gramática, eles podem começar a produzir o corpo do trabalho que será usado para ensinar a ler e escrever para seus filhos. Isso permitirá que essas crianças aprendam a ler e escrever em sua língua nativa, um exercício muito mais fácil e gratificante do que aprender essas habilidades em uma língua estrangeira. A maioria dos novos textos será produzida pela tradução de livros espanhóis para a nova língua escrita, mas Jesus também montou sua oficina para que qualquer pessoa em Oaxaca pudesse escrever obras originais no computador, de histórias locais a receitas de família.

O problema

Existem 56 grupos étnicos diferentes no México que juntos compõem cerca de um oitavo da população nacional. Cada grupo fala uma língua diferente, ou um dialeto diferente de uma língua comum, mas poucos lêem ou escrevem nessa língua. Isso ocorre principalmente porque a linguagem nunca foi escrita. O sistema educacional no México prevê a educação bilíngue, mas como a maioria das línguas indianas não tem textos, os alunos aprendem exclusivamente espanhol. Percebido, portanto, como a língua do conhecimento, o espanhol cada vez mais prevalece sobre a língua indígena entre as gerações mais jovens, levando a um declínio geral da vitalidade das culturas indígenas mexicanas. Para os grupos menores, essa influência decrescente leva à extinção em algumas gerações. Os povos indígenas maiores encontram pouca segurança no número: suas línguas geralmente estão divididas em vários dialetos sem uma tradição escrita comum e também correm o risco de morrer por falta de uso. Essas línguas ameaçadas de extinção são mais do que artefatos curiosos. Eles incorporam as maneiras como essas culturas aprenderam a pensar e os valores que as sustentam. Os idiomas precisam ser padronizados, os alunos precisam aprender a ler e escrever em sua própria língua, assim como em espanhol, e uma riqueza de novos materiais precisam ser produzidos que motivem e inspirem os alunos a exercitar suas novas habilidades.

A Estratégia

Por meio de seu Workshop em Línguas Indianas, Jesus já treinou representantes dos grupos étnicos Mazateca, Chinanteca, Amuzgo, Zapoteca, Mixteca e Ayuuk como começar a padronizar suas línguas usando programas de computador especializados. Jesus deixa o método de padronização para o grupo étnico. Alguns primeiro unificam a linguagem, depois escrevem. Outros escrevem primeiro e depois chegam a um acordo sobre um alfabeto e gramática únicos e práticos. Em ambos os casos, são os próprios oradores que tomam as decisões. O centro de Jesus encoraja e facilita o processo. Jesus contata diferentes comunidades e explica seu programa e convida representantes para seu centro em Oaxaca. Lá, Jesus e sua esposa treinam os representantes nas técnicas que irão simplificar o processo de registro de sua linguagem, como compilar o primeiro dicionário de uma língua, ou incorporar, mais facilmente do que a composição tradicional, sinais e símbolos exclusivos de uma determinada língua. O centro também funciona como um centro comunitário de redação e uma editora de pequeno porte, produzindo novos textos em menos tempo, e com menos esforço e custo, do que a impressão tradicional. Os computadores do centro foram doados pela IBM e Apple. “Estamos em uma era de avanços tecnológicos e, só por sermos indianos, não estamos isentos dessas conquistas”, diz Jesus. Jesus agora quer que seus novos estagiários comecem a trabalhar com outros grupos indígenas que correm o risco de perder sua língua antes que alguém possa registrá-lo: os Chochos, Ixcatecs e Cuicatecs, no estado de Oaxaca, e os Kilimas, Kimiais e Paipais, no estado de Baja, Califórnia Norte.