Roberto dos Santos
BrasilAshoka Fellow desde 1987

Roberto José dos Santos é um lutador carinhoso por milhões de crianças brasileiras que devem caminhar pelas ruas. Algumas dessas crianças de rua moram lá; muitos mais devem ganhar seu sustento diário vendendo amendoim, ajudando as pessoas a estacionar seus carros ou se engajando em outras tarefas servis.

A Pessoa

Roberto cresceu em uma das áreas pobres da periferia do Rio. Sensível ao que via ao seu redor, quando adolescente começou a ajudar um padre que trabalhava com os presos. Ao continuar este trabalho mais tarde, Roberto percebeu que grande parte da causa da criminalidade e suas múltiplas consequências destrutivas reside na forma como a sociedade trata seus jovens. Suas experiências nas ruas, reforçadas por um diploma de direito que voltou a estudar em 1981, o prepararam. Agora ele está lançando um ataque contra a hostilidade e a violência contra as crianças.

A Nova Idéia

Como tantos brasileiros, pobres e ricos, temem roubo e violência, esses milhões de crianças de rua enfrentam hostilidade generalizada, até violência - de adultos, lojistas, polícia e uns dos outros. Com 50% das crianças que começam a escola reprovando na primeira série, essas crianças têm poucas outras opções. Nos últimos seis anos, Roberto desenvolveu uma variedade de maneiras de ajudar crianças de rua de forma eficaz. Ele o fez enquanto trabalhava em duas áreas do Rio de Janeiro com maior densidade de crianças de rua: uma é uma área onde trabalham crianças ainda ligadas a suas favelas; a outra é uma área habitada por prostitutas, outros "marginais" e grupos de crianças inteiramente por conta própria. Cada vez mais, outras pessoas estão sendo atraídas para o trabalho de Roberto e lançando intervenções semelhantes em outras áreas.

A Estratégia

A abordagem de Roberto tece muitas ideias. A seguir estão alguns exemplos. Roberto emite as tão cobiçadas carteiras de identidade das crianças, que são uma garantia institucional para os jovens. Esses cartões identificam os pais dos jovens, pois o fortalecimento dos laços familiares é um princípio fundamental. Ele convenceu a polícia local a dar festas de aniversário mensalmente para as crianças de rua da delegacia nascidas naquele mês e também incentivou os comerciantes locais a participarem. Esses eventos abrem canais para os jovens e "celebram o valor da vida", diz ele. Não mais dispostos a vender amendoim, os adolescentes precisam de uma entrada construtiva na sociedade se quiserem evitar a marginalização e a criminalidade. Roberto oferece treinamentos intensivos e um intermediário legal, permitindo que as empresas empreguem esses jovens sem arcar com as responsabilidades de longo prazo que a lei imporia. Esses e outros programas juntos estão constituindo uma rede de segurança crescente e estão ajudando a definir um lugar legítimo para a sociedade. esses jovens. Nos próximos anos, Roberto continuará este trabalho prático em seu laboratório nas ruas. Ele também fará mais para divulgar as técnicas que está desenvolvendo. Roberto espera quebrar o ciclo vicioso de medo e violência que envolve as crianças pobres e que aflige a sociedade em geral. Por anos, ele viu esse ciclo contínuo como uma afronta ética e a principal causa de muitos dos danos causados. Aqui vem à tona a força ética que dá a este homem tão gentil: "Uma sociedade que não respeita seu povo, principalmente seus filhos, é autodestrutiva", diz ele. Quando trabalhou em várias instituições governamentais de habitação crianças retiradas das ruas, Roberto aceitava o opróbrio e o risco burocrático ao lutar contra a atmosfera de "prisão" estabelecida que enfatizava a ordem por meio da retribuição física. Seu cuidado fortaleceu os jovens com quem trabalhava e subjugou significativamente o antigo padrão de comportamento. Roberto agora planeja falar por um padrão mais alto de maneira semelhante e começar a aplicá-lo na sociedade como um todoComplementando seu trabalho com a polícia de bairro e comerciantes, Roberto está começando a atingir o público em geral, principalmente por meio da mídia. Por exemplo, ele organizou recentemente "uma caminhada pela fraternidade" no centro da cidade com crianças de rua carregando cartazes com suas próprias mensagens. Uma das placas dizia: “Queremos o direito de viver com justiça”. O próximo passo de Roberto é desenvolver um mecanismo de resposta sistemática para dar vida a esse pleito, um novo Núcleo dos Direitos da Criança e do Adolescente. Ele espera construir uma rede de centros de resposta rápida. Roberto está atualmente recrutando voluntários, incluindo advogados e estudantes de direito, para responder imediatamente e fornecer acompanhamento confiável a todos os casos de violência contra crianças. (Este trabalho vai reforçar o de Valdemar de Oliveira Neto, outro Ashoka Fellow eleito no início do ano, cujo trabalho com a lei da pobreza inclui a construção de uma base de dados nacional de direitos humanos.) O Centro servirá, por outras palavras, como a consciência do país - - tanto na definição do comportamento ético quanto na conexão implacável de tais princípios às ações específicas de indivíduos e comunidades.