Wilma Corrêa da Silva
BrasilAshoka Fellow desde 1987

Wilma Correa da Silva está usando sua longa experiência como costureira e um organizador comunitário para lançar uma cadeia de produção cooperativa e grupos de marketing para mulheres. Wilma vem de uma família pobre. Ela cresceu em um subúrbio da classe trabalhadora do Rio de Janeiro. Ela parou de estudar depois do ensino fundamental para trabalhar em uma grande fábrica de tecidos (malharia), onde trabalhou por quase dez anos. Quando ela se casou e engravidou, foi demitida (assim como muitas mulheres da fábrica para os empregados) porque seu empregador não estava disposto a conceder a licença maternidade de 4 meses e outros benefícios garantidos às mulheres grávidas por lei. Depois que seus dois filhos nasceram, Nilma, como muitas mulheres de seu bairro, aumentou a pequena renda familiar costurando ou fazendo artesanato em casa. Ativa com a igreja e organizações comunitárias em seu bairro, Wilma organizou o primeiro grupo de produção de mulheres em Inhaúma. O grupo teve muito sucesso. Um estudo recente feito por Judith Tendler, do MIT, dos projetos Livelihood, Employment and Income Generation das Fundações Ford, menciona que a chave nos projetos mais bem-sucedidos é a) um foco estreito - que permite uma compreensão aprofundada do processo de produção, dos mercados, fornecimento, etc. b) adição de um "componente ausente" a um conjunto de atividades já existentes, rede contatos, especialmente com o governo e instituições poderosas (igreja). No caso da Wilma, todos esses componentes estavam presentes: eles conheciam muito bem seu ofício, desde o fornecimento até a produção e o marketing. O projeto forneceu "elementos que faltavam", como a economia de escala em materiais e suprimentos. E por meio da igreja e da comunidade, o projeto conseguiu estender facilmente sua rede de contatos. O grupo de Wilma cresceu e hoje tem mais de 20 mulheres. Eles ganham cerca de US $ 300 por mês cada, valor que equivale a cerca de cinco vezes o salário mínimo brasileiro, sem sair de casa e dos filhos. O grupo de costura também se tornou um fórum de discussão de problemas familiares e femininos. Em 1985 Wilma foi convidada para as comemorações do Dia Internacional da Mulher em Itajaí. O contato com grupos de mulheres e a discussão das questões femininas fizeram Wilma perceber que as mulheres em todo o mundo compartilhavam problemas de desemprego, falta de qualificação profissional. Falta de creches para os filhos, etc. Ao mesmo tempo, ela também percebeu a extensão do potencial de replicação de sua experiência de sucesso. Desde então, Wilma ajudou a iniciar 5 novos grupos. Nos primeiros 4 meses ela oferece ampla assistência, desde ajudar as mulheres a se conhecerem até o ensino de contabilidade básica e como lidar com a inflação. Após o período inicial, sua assistência pessoal diminui - para contatos semanais e reuniões mensais. Esses cinco novos grupos estão em pleno funcionamento agora, mas há muitos pedidos de ajuda na formação de novos.